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09 de janeiro de 2019 às 17:05

Teonomia e a política atual

Uma das deturpações bíblicas que tenho visto ultimamente se dá com a chamada Teonomia. Esta palavra vem das palavras “Theos” (Deus) e nomos (lei), trazendo a ideia de uma forma de governo em que a sociedade seria governada pela “lei divina”, um tipo de teocracia cristã, como diz David W. Jones.

Para os adeptos desta visão de mundo, a Palavra de Deus, incluindo as leis judiciais do Antigo Testamento, devem ser cumpridas pelas sociedades modernas. Ou seja, a Teonomia é uma visão ética cristã que afirma que a Lei de Deus revelada na Escritura, tanto no Novo quanto no Antigo Testamento, é o único padrão de autoridade, verdade e justiça. A cosmovisão teonômica apresenta a Bíblia como o único padrão aceitável para julgar o que é correto e o que é errado em relação à realidade criada.

Neste contexto, a meu ver, a ascensão de governos como o de Trump ou de Bolsonaro, por terem contado com o apoio bastante substancial do eleitorado evangélico, ajudaram a criar, ainda que não fosse esta a intenção, na cabeça de alguns religiosos, uma espécie de triunfalismo, onde haveria praticamente uma fusão entre a política tradicional e a fé cristã, que foi bastante atacada e ridicularizada nos recentes governos.

Assim, é como se governos, como o de Trump ou Bolsonaro, no imaginário de alguns, representassem a retomada do lugar de destaque na política por determinados segmentos religiosos. Porém, eu penso como o diretor da Liberty University, a maior universidade cristã do mundo, o pastor Jerry Falwell Jr., que recentemente se pronunciou no sentido de que o ideal é que o governo seja “livre de qualquer associação religiosa.”

E invocando a famosa fala de Jesus, em Mateus 22:21, Falweel Jr., disse que “Jesus nunca disse a César como governar Roma”, deixando o Mestre bem claro, inclusive, que seu Reino não era terreno e que Ele anunciava o Reino de Deus como algo espiritual.

Neste contexto, a coisa torna-se mais problemática ainda quando eventualmente religiosos ascendem ao poder ou possuem eminência em um governo e passam a querer impor, pela lei e pela coerção estatal, os seus valores a indivíduos da sociedade que não comungam daqueles valores.

É, com as devidas reservas, algo que não destoa muito do que fazem algumas ditaduras islâmicas que buscam impor na marra a sharia para seus súditos.

Diferentemente, penso que o cristão deve buscar em qualquer ambiente, inclusive na política, caso resolva participar dela, os valores do Reino de Deus que são a verdade, a justiça, a paz, a fraternidade, o perdão, a liberdade, a alegria e a dignidade da pessoa humana.

Infelizmente, em muitos casos, temos visto várias notícias envolvendo parlamentares evangélicos mais preocupados apenas em conseguir poder, prestígio e vantagens para o seu segmento social ou usando do seu mandato, apenas para defender dogmas de sua fé, o que contrasta, no meu ponto de vista, com o que se espera de um político, que é o bem-estar de toda uma coletividade e não do seu grupinho social.

Não consigo entender, por exemplo, em quê o Reino de Deus está sendo engradecido quando um parlamentar apresenta um projeto de lei para isentar igrejas de alvarás de construções que são exigidos de todos.

Ou quando busca ampliar benefícios tributários e fiscais para aumentar a renda de suas denominações, apesar de toda a população ser taxada.

Concluindo, temos que entender que a única “imposição” que o Evangelho nos coloca é amar ao nosso semelhante, e não buscar puni-lo ou exclui-lo socialmente, simplesmente porque ele tem a liberdade de pensar diferente de mim. A Deus, cabe o julgamento. Que assim seja.

Fonte: GospelPrime

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